Real GaNa
 
04 de Fevereiro de 2009

Pachos na testa, terço na mão,
Uma botija, chá de limão, Zaragatoas, vinho com mel,
Três aspirinas, creme na pele
Grito de medo, chamo a mulher.
Ai Lurdes que vou morrer.
Mede-me a febre, olha-me a goela,
Cala os miúdos, fecha a janela,
Não quero canja, nem a salada,
Ai Lurdes, Lurdes, não vales nada.
Se tu sonhasses como me sinto,
Já vejo a morte nunca te minto,
Já vejo o inferno, chamas, diabos,
anjos estranhos, cornos e rabos,
Vejo demónios nas suas danças
Tigres sem listras, bodes sem tranças
Choros de coruja, risos de grilo
Ai Lurdes, Lurdes fica comigo
Não é o pingo de uma torneira,
Põe-me a Santinha à cabeceira,
Compõe-me a colcha, Fala ao prior,
Pousa o Jesus no cobertor.
Chama o Doutor, passa a chamada,
Ai Lurdes, Lurdes nem dás por nada.
Faz-me tisana e pão de ló,
Não te levantes que fico só,
Aqui sozinho a apodrecer,
Ai Lurdes, Lurdes que vou morrer.

ANTÓNIO LOBO ANTUNES

publicado por Real GaNa às 21:24 link do post
tags:
Fevereiro 2009
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
28
Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Visitas
Locations of visitors to this page
mais sobre mim
pesquisar neste blog
 
últ. comentários
Que ótimo trabalho, ele é um exelente artista plas...
Ias para professor/a.. ou então parás de reclamar,...
gosto de castanhas, acompanhado com um copo de águ...
A minha cor também deu verde. Será que eles só tem...
boas...também não concordo com este tipo de "arte"...
O "Direito à indignação", apesar de não o ter indi...
Eu que não sou professor, acho que eles defendem u...
blogs SAPO